Edição em Português por 622 páginas |16 de Junho de 2026 | Kindle Ulimited |
Lily Novak não pisa em uma pista de gelo há quatro anos.
Depois de uma gravidez inesperada e de um acidente que mudou sua relação com a patinação para sempre, a ex-patinadora olímpica tenta reconstruir a vida longe dos holofotes enquanto cria a filha, Blue, e se prepara para entrar na faculdade de medicina. Voltar ao gelo nunca esteve nos seus planos.
Muito menos ao lado dele.
Nikolai Müller, conhecido como Rei do Inverno, vê a própria carreira desmoronar às vésperas das Olimpíadas. Sem parceira e afundado em autodestruição, ele precisa de uma última chance para continuar no topo.
Quando Lily aceita voltar ao gelo ao seu lado, o mundo da patinação entra em colapso. Entre treinos intensos, contratos milionários, viagens internacionais e um namoro falso criado para salvar suas carreiras, os dois precisarão fingir estar apaixonados.
O problema é que, quanto mais tempo passam fingindo, mais difícil fica lembrar onde termina o contrato.
Existem livros que a gente fecha. E existem livros que fecham a gente em posição fetal, tentando entender como é possível sentir tanta saudade de pessoas que nunca existiram.
No Ritmo do Gelo foi exatamente isso para mim.
Entrei esperando um romance esportivo, um fake dating e toda a tensão que esse tipo de história promete. Saí com o coração completamente conquistado por personagens que parecem respirar entre as páginas. Lily e Nikolai têm uma química que transborda, construída aos poucos, entre silêncios, olhares, vulnerabilidades e a delicadeza de duas pessoas tentando sobreviver aos próprios fantasmas.
A Lily me conquistou pela força. Depois de tudo o que viveu, voltar ao gelo exigia muito mais do que talento: exigia coragem para enfrentar os próprios medos, as inseguranças e as feridas que insistiam em acompanhá-la. É impossível não admirar a mulher que ela se tornou. Uma mãe dedicada, que faria qualquer coisa pela Blue, e uma atleta que aprende que recomeçar também é uma forma de vencer. Ela nos lembra que ser forte não significa nunca cair, mas encontrar motivos para levantar todas as vezes.
Mas quem roubou meu coração foi o Nikolai.
Primeiro porque ele é loiro — e eu confesso que tenho um fraco por isso. Mas, muito além da aparência, Nikolai é o tipo de personagem que redefine o significado de amar alguém. O amor que ele sente pela Lily atravessa os anos, o silêncio, a distância e a dor. Ele nunca deixou de escolhê-la, nunca deixou de acreditar nela, mesmo quando ela já não conseguia acreditar em si mesma. Existe uma devoção quase obsessiva em cada gesto dele, mas uma obsessão bonita, paciente, que respeita o tempo dela e apenas espera pelo momento em que ela esteja pronta para enxergar que nunca esteve sozinha.
Nikolai é o calor que derrete todo o gelo da história. Cada cena em que aparece traz leveza, ternura, proteção e um amor tão genuíno que é impossível não se apaixonar por ele. É daqueles personagens que fazem a gente sorrir sem perceber, suspirar em cada capítulo e, quando o livro acaba, deixam um vazio enorme. Aquele tipo de homem que nos faz desejar, por alguns instantes, que fosse real.
E como não falar da Blue?
Ela ilumina todas as páginas em que aparece. Sua doçura, espontaneidade e o amor incondicional que oferece tornam a história ainda mais especial. Blue não é apenas uma criança fofa; ela é o coração pulsante desse livro, a razão de tantos recomeços e a prova de que o amor pode florescer mesmo depois das maiores tempestades.
Lali Santos entrega muito mais do que um romance. Ela escreve sobre recomeços, maternidade, culpa, superação e sobre o privilégio de encontrar alguém que nos ame até nas versões que tentamos esconder. O universo da patinação artística transforma o gelo em um palco onde não acontecem apenas competições, mas também curas, reencontros e segundas chances.
Quando terminei a última página, fiquei com aquela sensação rara de quem não queria dizer adeus. Queria mais treinos, mais competições, mais momentos em família, mais risadas da Blue, mais provocações do Nikolai e mais capítulos vivendo ao lado deles.
No Ritmo do Gelo aquece o coração justamente porque entende que algumas pessoas entram na nossa vida para nos lembrar de quem somos. E porque nos mostra que o amor verdadeiro não salva ninguém sozinho — ele caminha ao lado, espera, acolhe e permanece.
Favoritado sem pensar duas vezes.
E, sinceramente, ainda não superei o Nikolai Müller.

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