Seis histórias que terminaram na última página, mas continuaram vivendo em mim.
Existem livros que a gente gosta. Livros que recomenda. Livros que ganha cinco estrelas e ocupa um lugar especial na estante.
E existem aqueles que fazem alguma coisa um pouco mais perigosa: eles mexem com a química do nosso cérebro.
São histórias que terminam, mas se recusam a ir embora. Os personagens aparecem no meio de uma música qualquer, uma cena volta à memória meses depois e, às vezes, basta alguém mencionar aquele livro para todas as emoções da primeira leitura retornarem de uma vez.
Tenho uma teoria de que todo leitor carrega alguns desses livros consigo. Não necessariamente os melhores livros que já leu ou as histórias mais perfeitas que encontrou, mas aqueles que chegaram no momento certo — ou errado — e encontraram alguma coisa dentro da gente que ninguém havia tocado antes.
Estes são seis dos meus.
E, depois deles, talvez meu cérebro nunca tenha voltado ao seu estado original.
🧠 Paciente nº 01 — Sob o Mesmo Céu
O livro que me fez: sentir saudade de alguém que nunca conheci.
Existem personagens que conquistam a gente enquanto estamos lendo e existem aqueles que, sem pedir licença, simplesmente decidem permanecer. Lucas Alencar pertence perigosamente à segunda categoria.
Sob o Mesmo Céu foi uma daquelas leituras em que percebi que meu envolvimento já tinha ultrapassado todos os limites aceitáveis quando comecei a pensar nos personagens mesmo longe das páginas. E boa parte da culpa é dele. Lucas é sedutor, envolvente e tem aquele tipo de presença que faz a gente querer continuar lendo só para descobrir qual será seu próximo movimento. Quando percebi, já estava completamente rendida — e sem qualquer interesse em procurar uma cura.
Mas não posso colocar toda a responsabilidade no homem, porque Dri Satys também tem culpa nesse diagnóstico. A mulher simplesmente construiu uma história que alugou um triplex na minha cabeça e, aparentemente, esqueceu de devolver as chaves depois que terminei a leitura. Dias depois da última página, eu ainda estava pensando na história, nos personagens e naquela sensação deliciosa de querer voltar para um universo que tecnicamente já deveria ter deixado para trás.
Talvez seja exatamente isso que faça um livro alterar a química do nosso cérebro: a história termina, mas alguma coisa dela continua acontecendo dentro da gente. E Sob o Mesmo Céu, definitivamente, ainda acontece dentro de mim.
🧪 Paciente nº 02 — Jogo Duplo
O livro responsável pelos meus surtos silenciosos.Aqui estamos falando da elite da obsessão literária, porque Angel não está simplesmente apaixonada pelo homem dela. Ela é completamente, absolutamente e questionavelmente obcecada por ele. E talvez seja exatamente por isso que eu tenha amado tanto esse livro.
Estamos muito acostumadas a encontrar romances em que o protagonista masculino é aquele homem possessivo, completamente rendido e obcecado pela mocinha. Aquele clássico “eu destruiria o mundo por ela”. Mas Nina Queiroz decidiu inverter o jogo e entregar uma mulher que olha para o homem dela e basicamente pensa: “esse aqui é meu e eu vou cuidar dele.”
E Angel CUIDA.
Ela se preocupa com ele, protege, observa, pensa nele o tempo inteiro e demonstra um nível de devoção que, em determinados momentos, me fazia pensar: “amiga, talvez seja interessante conversar com alguém sobre isso”. Só que ao mesmo tempo eu estava lendo completamente fascinada. Porque Angel é incrível, intensa, apaixonada e totalmente doida. E digo isso com todo o carinho que uma leitora pode ter por uma personagem fictícia completamente desequilibrada.
Nina Queiroz conseguiu pegar uma dinâmica que eu já adoro encontrar nos romances e virar tudo de cabeça para baixo. Dessa vez, é ela quem está perigosamente obcecada pelo homem que ama — e eu descobri durante essa leitura que aparentemente precisava encontrar mais personagens femininas assim.
Angel não alugou apenas um espaço na minha cabeça.
Ela entrou, trancou a porta e provavelmente está vigiando para ter certeza de que ninguém chega perto do homem dela.
🫀 Paciente nº 03 — Mais Parecidos
💘 Paciente nº 05 — Misbehave
Misbehave é um daqueles livros que me trazem conforto. E acho que essa é a melhor palavra que consigo encontrar para explicar o que sinto por essa história. É como voltar para um lugar conhecido depois de um dia difícil e perceber que tudo aquilo que você ama continua exatamente ali, esperando por você.
Aqui, Brooke Mars foi gigante criando Naomi e Damian. Sério. Que personagens. Que universo. Que coisa incrível é entrar nessa história.
Existe alguma coisa em Misbehave que simplesmente me abraça. Eu gosto de acompanhar Naomi, gosto de Damian, gosto da dinâmica entre eles e, principalmente, da sensação que esse universo me provoca. Não é apenas sobre querer saber o que vai acontecer na próxima página; é sobre querer permanecer ali por mais um pouquinho.
E talvez seja isso que diferencie os livros que amamos daqueles que se tornam especiais de verdade. Alguns nos destroem, outros nos deixam completamente obcecadas, mas existem aqueles que acabam se transformando em casa.
Misbehave é isso para mim.
Naomi e Damian são personagens para os quais eu voltaria inúmeras vezes, porque existe conforto em reencontrá-los. É quase como visitar velhos amigos e perceber que, independentemente de quanto tempo tenha passado, a sensação de estar com eles continua a mesma.
Brooke Mars criou um universo no qual eu não apenas gostei de entrar. Eu quis ficar.
E, sinceramente? Se esse é o diagnóstico, eu não quero tratamento nenhum.
🌫️ Paciente nº 06 — Nebulosos
Nebulosos realmente me deixou completamente apaixonada por Max e Chace. Sério, que duologia maravilhosa! É daquelas histórias que você começa querendo apenas conhecer os personagens e, quando percebe, já está emocionalmente envolvida demais para simplesmente fechar o livro e seguir a vida normalmente.
E Max e Chace têm grande responsabilidade nisso. Eu amo os dois juntos. Amo acompanhar a relação deles, a intensidade, os sentimentos e tudo aquilo que vai sendo construído entre eles ao longo da história. Eles têm aquele tipo de conexão que faz a gente se apegar ao casal como se tivesse algum direito sobre a felicidade deles.
Quanto mais eu lia, mais queria permanecer naquele universo. E quando uma história consegue provocar isso em mim, já sei que estou perdida. Porque não é mais apenas curiosidade para descobrir o final; é aquela vontade de continuar acompanhando aquelas pessoas, de ter mais capítulos, mais momentos e mais um pouquinho daquela sensação.
Quando terminei a duologia, ficou justamente aquilo que eu considero um dos maiores sinais de que um livro funcionou comigo: saudade.
Saudade de Max. Saudade de Chace. Saudade deles juntos e daquele universo que, por algumas páginas, pareceu tão fácil de habitar.
Tay Ferreira, você tinha mesmo necessidade de fazer isso comigo?
Porque Nebulosos terminou, mas Max e Chace aparentemente decidiram que não tinham nenhuma obrigação de sair da minha cabeça junto com a última página.
E talvez seja por isso que essa duologia esteja entre os livros que alteraram a química do meu cérebro: algumas histórias deixam lembranças; Max e Chace deixaram saudade.
📋 Diagnóstico final
Talvez dizer que esses livros alteraram a química do meu cérebro seja um pequeno exagero.
Pequeno.
Porque todos eles deixaram alguma coisa.
Uma personagem que ainda amo. Uma cena que gostaria de experimentar pela primeira vez novamente. Uma frase que ficou. Uma sensação que nenhum outro livro conseguiu reproduzir exatamente da mesma maneira.
E acho que essa é uma das coisas mais bonitas sobre ser leitora: nós entramos em uma história sabendo que ela tem um número determinado de páginas, mas nunca sabemos por quanto tempo ela continuará existindo dentro de nós.
Algumas duram uma tarde.
Outras permanecem por anos.
E algumas, suspeito, nunca vão embora.
Diagnóstico: obsessão literária crônica.
Tratamento: continuar lendo.
Alta médica: felizmente, negada.
Agora quero montar o prontuário de vocês: qual livro alterou a química do seu cérebro e por quê?


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