Palavras Perdidas

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Fico remoendo todas as conversas que tenho.

Repasso cada palavra na minha cabeça, procurando significados escondidos: O que será que quiseram dizer com aquilo? Será que fiz alguma coisa errada? Será que deveria ter respondido diferente?

Às vezes, percebo tarde demais o peso das palavras que lançaram em minha direção. Em outras, nem consigo entender exatamente o que quiseram dizer. E há aquelas vezes em que reconheço imediatamente — no tom, no olhar, na maneira como uma frase aparentemente inocente encontra exatamente o lugar onde mais dói.

O problema é que me apego demais às palavras.

Às boas e às ruins.

Guardo elogios, críticas, silêncios, mudanças de tom, respostas curtas demais e até aquilo que talvez nunca tenha significado nada. Algumas situações me atravessam mais do que outras. Há dias em que escuto tanto as pessoas que quase não consigo ouvir o que meu próprio coração está tentando me dizer. Em outros, simplesmente ligo o dane-se e decido que não vou escutar ninguém.

Talvez essa seja uma das coisas que a ansiedade fez comigo.

Tornou-me alguém insegura.

Alguém que desconfia de tudo e sente a necessidade de repassar cada palavra dita, como se em algum momento tivesse deixado escapar uma informação importante. Como se cada conversa fosse um quebra-cabeça que eu precisasse solucionar para descobrir onde errei.

E isso é cansativo.

Porque a ansiedade faz a gente sofrer por tudo e, ao mesmo tempo, por nada.

É desconcertante precisar respirar fundo e engolir o choro na frente dos outros. Erguer a cabeça e continuar caminhando enquanto, por dentro, alguma coisa parece estar desmoronando.

Quantas vezes sorri apenas para não preocupar ninguém?

Quantas vezes me levantei do chão sem sequer ter certeza de que minhas pernas conseguiriam me sustentar?

Olhei para o espelho e disse:

"Vai. Você consegue. Você é forte."

Mesmo enquanto as lágrimas escorriam.

E continuei.

Talvez por isso tantas pessoas tenham acreditado que eu era forte. Elas me viram de pé, mas não presenciaram todas as vezes em que precisei me reconstruir antes de conseguir levantar.

Porque eu também estava fraca.

Estava cansada.

E estive com medo.

E admitir isso talvez seja uma das coisas mais difíceis para alguém que passou tanto tempo tentando convencer o mundo — e a si mesma — de que conseguia suportar tudo.

Mas houve mãos.

Houve abraços.

Houve pessoas que se tornaram porto seguro quando dentro de mim tudo parecia tempestade. E foi assim que me lembrei de algo que a ansiedade tenta constantemente me fazer esquecer:

Eu não estou sozinha.

Talvez eu nunca tenha precisado ser forte o tempo inteiro.

Talvez a força também seja reconhecer que existem batalhas que não precisam ser enfrentadas sem companhia.

A ansiedade me apresentou uma versão de mim da qual nem sempre me orgulho. Uma versão insegura, desconfiada, assustada, que pensa demais, sente demais e transforma pequenas coisas em tempestades enormes dentro da própria cabeça.

Mas ela também me obrigou a reconhecer a minha humanidade.

Eu não consigo tudo sozinha.

Eu posso cair.

Posso chorar.

Posso precisar de alguém.

Posso admitir que alguma coisa doeu.

E nada disso me torna menos forte.

Porque, se existem dias em que caio, também existem tantos outros em que me levanto. Talvez com alguns arranhões novos, talvez ainda tremendo, mas carregando comigo tudo aquilo que aprendi enquanto estava no chão.

Quero acreditar que chegará o dia em que essas inseguranças já não terão tanto poder sobre mim.

Que não vou procurar significados escondidos em cada palavra.

Que não vou transformar silêncios em rejeição, mudanças de tom em culpa ou pequenos acontecimentos em provas de que existe algo errado comigo.

Quero liberdade.

Liberdade para simplesmente existir sem precisar analisar cada passo.

Liberdade para acreditar nas coisas boas sem esperar que algo ruim aconteça logo depois.

Liberdade para ouvir uma palavra e deixá-la passar quando ela não me pertence.

E, principalmente, liberdade para entender que nem tudo aquilo que a minha mente diz sobre mim é verdade.

Todos os dias preciso me lembrar disso.

Quando a ansiedade sussurra que alguma coisa vai dar errado, eu posso questioná-la.

Quando ela diz que não sou suficiente, eu não preciso concordar.

Quando tenta me convencer de que estou sozinha, posso me lembrar de todas as mãos que já seguraram a minha.

E quando ela tenta transformar minha própria mente em uma prisão, preciso recordar que ainda existe uma parte de mim que continua procurando a porta.

Talvez a liberdade não chegue de uma vez.

Talvez ela venha aos poucos.

Em cada pensamento que eu decido não alimentar.

Em cada palavra que escolho não carregar.

Em cada vez que respiro fundo, percebo que não preciso resolver todas as coisas que existem dentro da minha cabeça.

A ansiedade pode falar.

Pode gritar.

Pode tentar me convencer de tantas coisas.

Mas ela não pode escolher por mim aquilo em que vou acreditar.

Essa escolha ainda é minha.

E eu escolho não entregar a ela o poder de definir quem eu sou.



Hoje eu começo um novo quadro aqui no blog: Perdidos na Estante. 📚✨
Sabe aqueles livros que você compra jurando — com toda a convicção do mundo — que vai começar a ler imediatamente?

Você olha para a capa, lê a sinopse, se apaixona pela história antes mesmo de conhecer os personagens e pensa: “É esse. Minha próxima leitura.”

Então, chega outro livro.

E mais outro.

E mais cinco, porque aparentemente nós, leitores, não sabemos trabalhar com limites quando o assunto é comprar livros.

Quando você percebe, aquele pobre coitado que seria “a próxima leitura” está há meses — talvez anos — olhando para você da estante, esperando pacientemente pelo dia em que finalmente será escolhido.

E você continua passando na frente dele enquanto diz:
“Calma, seu momento vai chegar.”

Foi pensando justamente nesses esquecidos que nasceu o Perdidos na Estante, um cantinho para vasculhar a minha própria TBR, reencontrar histórias que um dia despertaram minha curiosidade e tentar entender por que, mesmo querendo tanto lê-las, elas continuam esperando sua vez.

Talvez seja falta de tempo. Talvez nunca tenha chegado o momento certo. Talvez outro livro simplesmente tenha furado a fila.

Ou talvez eu apenas tenha um problema muito sério em comprar livros mais rápido do que consigo lê-los.

Provavelmente a última opção.

Para inaugurar o quadro, fui até a minha estante e escolhi seis livros completamente diferentes entre si. Tem romance, suspense, fantasia, clássico e até aquele tipo de leitura que eu já sei que vai terminar cheia de marcações, post-its e frases sublinhadas.
Alguns estão esperando há pouco tempo.

Outros… bem, sobre esses nós não precisamos comentar há quanto tempo estão ali.
O importante é que chegou a hora de tirá-los do esquecimento — pelo menos por alguns minutos.

Vamos descobrir quem anda perdido pela minha estante? 📖🤎

📖 O Imperador da Máfia - Nathany Teixeira 


Começamos exatamente do jeito que eu gosto: com problemas.

Porque aparentemente não bastam os romances que já existem na minha lista de leitura, eu continuo perfeitamente capaz de olhar para uma história envolvendo máfia, perigo, homens moralmente questionáveis e romance e pensar:
“Nossa, parece uma excelente decisão.”

Não sei quando isso aconteceu, mas em algum momento da minha vida literária homens perigosos passaram a representar uma parcela considerável da minha TBR.

Na vida real? Deus me livre.

Na ficção? Pode entrar.

Por que ainda não li?
Provavelmente porque minha lista de romances cresce em uma velocidade que deveria ser cientificamente estudada.

Chance de furar a fila: ★★★★☆

🚘 Mr. Mercedes - Stephen King 


Stephen King está naquela categoria de autores que despertam minha curiosidade simplesmente pelo tamanho da reputação que carregam.

E Mr. Mercedes me chama atenção justamente porque foge um pouco daquela imagem mais sobrenatural que normalmente associamos ao autor e mergulha em uma história de crime, investigação e tensão psicológica.

É o tipo de livro que parece ter potencial para despertar aquela versão investigadora que existe dentro de todo leitor de suspense:
“Eu já sei quem fez isso.”

Cinco capítulos depois:
“Eu não sei absolutamente nada.”

Quero muito descobrir em qual dessas duas fases vou permanecer durante a leitura.

Por que ainda não li?
Porque suspense sempre perde espaço quando algum romance aparece balançando uma capa bonita na minha frente.

Chance de furar a fila: ★★★★☆

🐺 Mulheres que Correm com os Lobos - Clarissa Pinkola Estés


Este é provavelmente um dos livros mais diferentes desta lista.

Mulheres que Correm com os Lobos é aquele tipo de obra que eu não quero simplesmente terminar. Quero ler devagar, marcar páginas, voltar em alguns trechos e realmente absorver aquilo que estou lendo.

E talvez justamente por isso eu continue adiando.

Existem livros que pedem o momento certo.

Não porque sejam necessariamente difíceis, mas porque sabemos que eles vão exigir um pouco mais de nós. Atenção, reflexão e disposição para encontrar alguma coisa entre aquelas páginas que talvez diga muito mais sobre nós mesmas do que esperávamos.

Tenho a sensação de que esse será um desses livros.

Por que ainda não li?
Porque continuo esperando aquele misterioso “momento perfeito” que nós, leitores, inventamos.

Chance de furar a fila: ★★★☆☆

❤️ Tentação Irresistível - Nathalia Tilcailo


Agora retornamos à minha zona de conforto.

Romance.

Aparentemente, minha estante pode conter suspense, fantasia, desenvolvimento pessoal, clássicos e estudos sobre o feminino, mas basta aparecer um romance com personagens que provavelmente vão passar páginas demais fingindo que não estão completamente atraídos um pelo outro para toda a minha organização literária entrar em risco.

E Tentação Irresistível tem exatamente aquela energia de livro que eu pegaria dizendo:
“Vou ler só um capítulo antes de dormir.”

Quando percebesse, seriam três da manhã e eu estaria emocionalmente envolvida em problemas que sequer são meus.
Ou seja: literatura.

Por que ainda não li?
Essa pergunta também gostaria de fazer para mim mesma.

Chance de furar a fila: ★★★★★

🌷 Orgulho e Preconceito - Jane Austen

Sim.

Eu sei.

Podem me julgar.

Orgulho e Preconceito continua perdido na minha estante.

Elizabeth Bennet e Mr. Darcy são provavelmente um dos casais mais famosos da literatura, e eu já conheço referências, frases, adaptações e praticamente toda a atmosfera que envolve essa história.

Mas ainda falta uma coisa bastante importante:

Sentar e realmente ler o livro.

Talvez exista até um certo receio quando vamos ler um clássico tão amado. Depois de ouvir durante anos que determinada história é maravilhosa, nasce aquela expectativa gigantesca de também se apaixonar por ela.

Mas considerando minha relação com romances, provocações, personagens orgulhosos e homens que demoram um tempo considerável para perceber que estão completamente apaixonados...

Darcy provavelmente tem boas chances comigo.

Por que ainda não li?
Porque os clássicos aparentemente ficam esperando enquanto eu digo “só mais esse romance contemporâneo”.

Chance de furar a fila: ★★★★☆

✨ Golem e o Gênio


E finalmente chegamos ao livro que provavelmente mais desperta minha curiosidade visual nesta lista.

Só o conceito de colocar criaturas vindas de mitologias diferentes dividindo uma história já é suficiente para me fazer querer descobrir esse universo.

É exatamente o tipo de fantasia que me atrai: aquela que parece carregar uma atmosfera própria, quase como se o mundo existisse muito antes de abrirmos a primeira página.

Tenho a impressão de que Golem e o Gênio será uma leitura para entrar sem pressa, conhecer aquele universo aos poucos e simplesmente permitir que a história me carregue.

Talvez seja exatamente por isso que continua esperando.

Alguns livros parecem pedir espaço.

E eu ainda preciso entregar esse espaço para ele.

Por que ainda não li?
Porque aparentemente gosto de acumular livros incríveis para depois reclamar que tenho livros incríveis demais para ler.

Chance de furar a fila: ★★★★☆

📚 O diagnóstico da minha estante

Depois de olhar para esses seis livros, cheguei a uma conclusão extremamente científica:

Eu preciso parar de comprar livros.

Naturalmente, não farei isso.

Mas reconhecer o problema já deve valer alguma coisa.

O mais engraçado de revisitar minha própria estante é perceber quantas histórias continuam ali esperando silenciosamente. Algumas chegaram recentemente, outras provavelmente já me viram escolher vários livros na frente delas enquanto prometia:

“Você é o próximo.”

Mentira.

Nunca eram.

Talvez o Perdidos na Estante seja justamente a oportunidade de mudar isso e transformar alguns desses esquecidos nas minhas próximas leituras.

Então, quero deixar a decisão mais importante nas mãos de vocês:

Qual desses seis livros eu deveria resgatar da estante primeiro?

Me conta nos comentários qual merece ser minha próxima leitura — e, principalmente, qual livro está há tempo demais perdido na sua estante?

Porque tenho certeza de que eu não sou a única pessoa dizendo “vou ler em breve” para um livro há aproximadamente três anos. 📚🤎


 


Formato: eBook Kindle | 712 páginas | Português | 31 de Março de 2026

"Crescer em volta de uma ausência e perceber, aos poucos, que a falta de uma pessoa também consegue ocupar espaço demais na vida da gente. E com a ausência, bem a ideia de você é descartável, dispensável, não faz falta e que qualquer um é capaz de te substituir e ser melhor do que você em absolutamente tudo." 

FAKE DATING + SLOW BURN + PROXIMIDADE FORÇADA + ENEMIES TO LOVERS + GRUMPY x SUNSHINE + FOUND FAMILY + JOGADOR DE HÓQUEI x JORNALISTA.
Jason Zane tem tudo para se tornar o melhor jogador de hóquei do mundo — exceto paciência. Após terminar de jogar a pá de terra definitiva em sua carreira ao se envolver em mais uma polêmica fora do gelo, ele acaba esbarrando em Verônica Kohli, uma jornalista falida e desesperada por uma manchete. Um mal-entendido, um paparazzi oportunista e o timing errado transformam Zane e Verônica no casal mais comentado do momento, desviando pela primeira vez os olhos do público das sucessivas merdas que ele insiste em fazer. Ela precisa de dinheiro. Ele precisa salvar o que ainda resta da sua carreira. Em uma noite fadada ao fracasso, eles selam um acordo perigoso, capaz de transformar um simples esbarrão em um espetáculo cuidadosamente encenado no meio do rinque. O problema é que contratos não controlam sentimentos. E fingir pode ser muito mais arriscado do que errar de verdade.


Existem algumas coisas que praticamente garantem que eu vou querer ler um livro: romance esportivo, jogador de hóquei e jornalista. Se colocar os três juntos, acabou para mim.

Lance Proibido já começou me conquistando no instante em que descobri que Verônica era jornalista. Tenho um carinho enorme por essa trope de jogador de hóquei + jornalista, então minhas expectativas já estavam lá no alto — e, felizmente, Verônica e Jason fizeram questão de entregar.

Mas o que eu não esperava era terminar essa história tão tocada pela força da Verônica.

Ela foi, sem dúvida, uma das coisas que mais amei no livro. Não apenas porque é jornalista — embora isso tenha me feito criar uma identificação imediata com ela —, mas porque existe uma força muito bonita na maneira como ela enfrenta tudo o que acontece em sua vida.

Verônica me lembrou que ser forte não significa não sentir medo, não sofrer ou nunca desabar. Às vezes, força é justamente continuar quando alguma coisa dentro da gente está implorando para desistir.

E eu amo personagens femininas assim.

Mulheres que não precisam ser invencíveis para serem fortes. Que carregam cicatrizes, inseguranças e momentos em que não sabem exatamente o que fazer, mas ainda encontram alguma coisa dentro de si que diz: vai, só mais um pouco.

Verônica me ensinou muito sobre isso. Sobre não permitir que as circunstâncias decidam quem você vai ser. Sobre continuar acreditando nos próprios sonhos, na própria carreira e, principalmente, em si mesma. E talvez tenha sido justamente por enxergar nela essa humanidade que eu tenha me apegado tanto.

E como alguém que também ama o Jornalismo, acompanhar Verônica tornou tudo ainda mais especial para mim. Eu não estava torcendo apenas pelo romance dela. Estava torcendo por ela. Pela profissional, pela mulher, pelos sonhos que carregava e por tudo aquilo que ainda queria conquistar.

É muito gostoso quando encontramos dentro de uma personagem alguma coisa que conversa diretamente com quem somos ou com aquilo que escolhemos para nossa própria vida. E Verônica conseguiu fazer isso comigo.

Agora precisamos falar do outro responsável pelo meu completo descontrole durante essa leitura.


Jason Zane.

Meu Deus.

Primeiramente: que homem gostoso.

Segundamente: QUE HOMEM.

Jason conseguiu entrar naquela categoria perigosíssima dos personagens masculinos que me fazem fechar o Kindle por alguns segundos, olhar para o nada e pensar:

“É realmente pedir demais?”

Porque não basta o homem ser jogador de hóquei. Não basta ser bonito. Não basta ser ruivo. Não basta ter presença.

Ele ainda precisava ser um completo cavalheiro.

E é justamente isso que me conquistou nele.

Por trás de toda aquela aparência capaz de acabar com a estabilidade emocional de qualquer leitora, existe um homem cuidadoso, respeitoso e atento. A forma como Jason trata Verônica foi uma das minhas partes favoritas da história, principalmente porque ele não tenta apagar a força dela para poder protegê-la.

Pelo contrário: ele parece enxergá-la exatamente como ela é.

E existe alguma coisa extremamente romântica em ser amada por alguém que não deseja nos diminuir para se sentir necessário.

Outra coisa que me conquistou foi perceber que o romance entre Verônica e Jason não existe apenas porque os dois têm química — embora, meu Deus, ELES TENHAM QUÍMICA. Existe admiração entre eles. E talvez essa tenha sido uma das coisas mais bonitas de acompanhar.

Jason não se apaixona por uma versão diminuída de Verônica. Ele se encanta justamente pela mulher forte, determinada e apaixonada pela profissão que ela escolheu ser.

Para mim, isso faz toda a diferença.

Existe uma linha muito tênue entre escrever um personagem masculino protetor e criar um homem que tenta decidir tudo pela protagonista em nome dessa proteção. E Jason consegue permanecer do lado certo dessa linha.

Ele cuida, mas não prende. Protege, mas não apaga. Está ao lado dela sem tentar ocupar o espaço que pertence a ela.

E talvez seja exatamente por isso que eu tenha me apaixonado tanto por ele.

Porque, por mais que eu faça piada sobre Jason ser um ruivo gostoso — e ele é, vamos deixar isso devidamente registrado —, o que realmente me ganhou foi a maneira como ele ama.

Há delicadeza nele.

Há respeito.

Há aquela sensação gostosa de estar diante de um personagem que pode ser uma verdadeira força da natureza, mas que consegue ser extremamente cuidadoso quando se trata da mulher que ama.

Jason é aquele tipo de personagem que consegue ser protetor sem ser sufocante, cavalheiro sem parecer artificial e apaixonante sem precisar fazer esforço.

Ele simplesmente é.

E eu, infelizmente, sou apenas uma mulher com um Kindle nas mãos sendo obrigada a aceitar que Jason Zane não existe.

O que considero uma tremenda injustiça.

E Verônica precisava justamente de alguém assim. Não de um salvador, porque ela nunca precisou ser salva, mas de alguém disposto a caminhar ao lado dela enquanto ela mesma encontrava forças para continuar.

A química dos dois também funciona justamente porque Verônica não desaparece quando Jason entra em cena. Ela continua tendo personalidade, sonhos, carreira e voz própria.

São duas pessoas inteiras se encontrando.

E eu amo quando o romance não transforma a mocinha apenas no interesse amoroso do protagonista. Verônica continua sendo Verônica. Jason continua sendo Jason. E é justamente no encontro entre essas duas personalidades que o relacionamento deles se torna tão gostoso de acompanhar.

Acho que foi aí que Lance Proibido deixou de ser apenas mais um romance de hóquei para mim.

Porque eu comecei a leitura esperando encontrar uma jornalista e um jogador de hóquei se apaixonando — uma combinação que, convenhamos, já tinha tudo para me conquistar —, mas encontrei também uma história sobre resiliência, sonhos, amor e sobre a coragem necessária para continuar sendo quem somos depois que a vida tenta nos quebrar.

Gabriela Pizzol e Thainá Brandão também conseguiram fazer algo que valorizo muito em romances: fizeram com que eu me importasse com os personagens individualmente antes mesmo de me importar com quem eles seriam juntos.

Eu queria Verônica feliz porque me apeguei a ela.

Queria vê-la conquistando seus sonhos, reconstruindo aquilo que precisava ser reconstruído e percebendo a própria força.

E queria Jason feliz porque, bom...

aquele ruivo desgraçado conseguiu me conquistar.

Quando percebi que talvez a felicidade dos dois pudesse morar um pouquinho um no outro, já era tarde demais para o meu pobre coração.

No fim, Lance Proibido foi muito mais do que uma leitura que me entregou uma das minhas combinações favoritas. Foi um romance que me fez suspirar por Jason, torcer pelo casal e, principalmente, admirar Verônica.

Entrei pela promessa de jogador de hóquei + jornalista.

Fiquei porque Verônica me lembrou da força que existe em continuar lutando por quem queremos ser.

E saí completamente rendida por Jason Zane — um ruivo absurdamente gostoso, apaixonante, cavalheiro e uma verdadeira força da natureza que, aparentemente, apareceu neste livro apenas para destruir qualquer resquício de padrão realista que ainda me restava.

Porque sim, Verônica pode ter me ensinado várias coisas durante essa leitura.

Jason também me ensinou uma: meu padrão para homens fictícios aparentemente ainda não estava alto o suficiente.

Obrigada pelo desserviço, Gabriela Pizzol e Thainá Brandão. 💚🏒

★★★★★ + um Jason Zane, porque cinco estrelas sozinhas não são suficientes.






Seis histórias que terminaram na última página, mas continuaram vivendo em mim.

Existem livros que a gente gosta. Livros que recomenda. Livros que ganha cinco estrelas e ocupa um lugar especial na estante.

E existem aqueles que fazem alguma coisa um pouco mais perigosa: eles mexem com a química do nosso cérebro.

São histórias que terminam, mas se recusam a ir embora. Os personagens aparecem no meio de uma música qualquer, uma cena volta à memória meses depois e, às vezes, basta alguém mencionar aquele livro para todas as emoções da primeira leitura retornarem de uma vez.

Tenho uma teoria de que todo leitor carrega alguns desses livros consigo. Não necessariamente os melhores livros que já leu ou as histórias mais perfeitas que encontrou, mas aqueles que chegaram no momento certo — ou errado — e encontraram alguma coisa dentro da gente que ninguém havia tocado antes.

Estes são seis dos meus.

E, depois deles, talvez meu cérebro nunca tenha voltado ao seu estado original.

🧠 Paciente nº 01 — Sob o Mesmo Céu

O livro que me fez: sentir saudade de alguém que nunca conheci.


Sinopse: Já ouvi dizer que todos nascem com um propósito. Bom, se isso for verdade, eu já sei qual é o meu: errar. Errei quando aceitei me mudar para uma cidade que não gostava só porque meu ex-namorado insistiu. Errei quando saí de noite ao invés de ficar em casa dormindo. Errei quando ignorei tudo o que aquele cara representava e acabei na cama com ele. Viu só? O meu propósito na Terra, com certeza, é cometer burradas. Mas tudo bem. Pelo menos a única relação que tenho com esse homem é profissional, afinal, ele voa e eu controlo seu voo. Não vamos nos encontrar de novo. Aquela noite aconteceu, foi boa, mas será esquecida. Exceto por um pequeno detalhe. Um dos meus erros acabou me deixando sem ter onde morar e minha melhor opção é dividir o apartamento com ele. Lucas Alencar. O melhor amigo do meu meio-irmão. O piloto arrogante, debochado e convencido que sempre me atormenta quando voa. O cara mais gostoso que eu já vi na face da Terra. O mesmo cara com quem passei aquela noite que deveria ser esquecida. Tudo bem! Posso fazer isso. É minha única opção. Só preciso me manter imune a ele e ao seu papinho de piloto. É só por alguns meses. Não tem como dar errado.

Existem personagens que conquistam a gente enquanto estamos lendo e existem aqueles que, sem pedir licença, simplesmente decidem permanecer. Lucas Alencar pertence perigosamente à segunda categoria.

Sob o Mesmo Céu foi uma daquelas leituras em que percebi que meu envolvimento já tinha ultrapassado todos os limites aceitáveis quando comecei a pensar nos personagens mesmo longe das páginas. E boa parte da culpa é dele. Lucas é sedutor, envolvente e tem aquele tipo de presença que faz a gente querer continuar lendo só para descobrir qual será seu próximo movimento. Quando percebi, já estava completamente rendida — e sem qualquer interesse em procurar uma cura.

Mas não posso colocar toda a responsabilidade no homem, porque Dri Satys também tem culpa nesse diagnóstico. A mulher simplesmente construiu uma história que alugou um triplex na minha cabeça e, aparentemente, esqueceu de devolver as chaves depois que terminei a leitura. Dias depois da última página, eu ainda estava pensando na história, nos personagens e naquela sensação deliciosa de querer voltar para um universo que tecnicamente já deveria ter deixado para trás.

Talvez seja exatamente isso que faça um livro alterar a química do nosso cérebro: a história termina, mas alguma coisa dela continua acontecendo dentro da gente. E Sob o Mesmo Céu, definitivamente, ainda acontece dentro de mim.

🧪 Paciente nº 02 — Jogo Duplo

O livro responsável pelos meus surtos silenciosos.


Sinopse: Arqueira vs. Esgrimista - New Adult - Found Family - Ela o quer, então ela o terá. Angel Hayes Durante a minha vida inteira, fui acostumada a ter tudo o que queria. Não por ser mimada, mas por ser constantemente deixada sozinha. Presentes substituíam presença, viagens caras compravam afeto. Eu cresci assim, então virou hábito acreditar que tudo poderia ser meu. Entretanto...Aaron Hart, eu o conheci no último ano da escola. Não éramos amigos, mas eu o admirava e, secretamente, desejava ser como ele. Só que ele sumiu de repente e a pequena obsessão que eu tinha foi deixada de lado por alguns anos. Até eu descobrir onde ele estava estudando e decidir que também queria ir para lá. E agora eu estou aqui, em um internato perigoso escondido no meio da Suíça, me colocando em situações que não deveria, ciente de que ele faz parte do grupo temido que manda no lugar e disposta a fazer tudo que estiver ao meu alcance para conquistá-lo. Porque, se eu quero algo, definitivamente terei. Aaron Hart é o meu alvo e, como uma arqueira perfeita, eu nunca erro. O único problema é que esgrimistas como ele também costumam ter mãos firmes e acertar o seu oponente de perto. E quando ele começa a agir diferente do que eu esperava, o jogo duplo que eu mesma inventei ameaça me sufocar. Livro proibido para menores de 18 anos.

Aqui estamos falando da elite da obsessão literária, porque Angel não está simplesmente apaixonada pelo homem dela. Ela é completamente, absolutamente e questionavelmente obcecada por ele. E talvez seja exatamente por isso que eu tenha amado tanto esse livro.

Estamos muito acostumadas a encontrar romances em que o protagonista masculino é aquele homem possessivo, completamente rendido e obcecado pela mocinha. Aquele clássico “eu destruiria o mundo por ela”. Mas Nina Queiroz decidiu inverter o jogo e entregar uma mulher que olha para o homem dela e basicamente pensa: “esse aqui é meu e eu vou cuidar dele.”

E Angel CUIDA.

Ela se preocupa com ele, protege, observa, pensa nele o tempo inteiro e demonstra um nível de devoção que, em determinados momentos, me fazia pensar: “amiga, talvez seja interessante conversar com alguém sobre isso”. Só que ao mesmo tempo eu estava lendo completamente fascinada. Porque Angel é incrível, intensa, apaixonada e totalmente doida. E digo isso com todo o carinho que uma leitora pode ter por uma personagem fictícia completamente desequilibrada.

Nina Queiroz conseguiu pegar uma dinâmica que eu já adoro encontrar nos romances e virar tudo de cabeça para baixo. Dessa vez, é ela quem está perigosamente obcecada pelo homem que ama — e eu descobri durante essa leitura que aparentemente precisava encontrar mais personagens femininas assim.

Angel não alugou apenas um espaço na minha cabeça.

Ela entrou, trancou a porta e provavelmente está vigiando para ter certeza de que ninguém chega perto do homem dela.

🫀 Paciente nº 03 — Mais Parecidos

O livro que eu apagaria da memória só para ler novamente.


Sinopse: Inimigos de infância x Quarterback surfista & nadadora x Grumpy & Sunshine. Jason Brooks é o tipo de erro que toda garota jura que nunca vai cometer. Bad boy. Quarterback. O rei da festa. Ele vive como se o mundo estivesse aos seus pés, e talvez esteja mesmo. Suspensões. Brigas. Um pavio curto que nunca aprendeu a controlar. E um talento absurdo para destruir tudo ao redor. Inclusive a mim. Eu odeio Jason Brooks. Sempre odiei. Desde antes mesmo de lembrar como tudo começou. E ele me odeia de volta. Era simples. Sempre foi. Até Emma. Ela era o único ponto em comum entre nós. A única coisa que nos conectava. Ao menos, era o que eu achava. Porque estamos prestes a receber uma notícia que muda tudo. E talvez a verdade seja pior do que eu quero admitir: Só nos odiávamos tanto porque éramos mais parecidos do que gostaríamos. Nós nunca fomos tão diferentes quanto fingíamos ser. E a vida tem um jeito cruel de provar isso. Mesmo que doa. Mesmo que quebre. Mesmo que eu não esteja pronta para ver. Comédia romântica com tensão emocional x Enemies to Friends to Lovers x Slow Burn.

Mais Parecidos não poderia ficar de fora dessa lista porque é, sem dúvida, um dos meus livros favoritos. E quando digo favorito, existe histórico para comprovar: acompanhei essa história em diferentes versões e, ainda assim, continuo voltando para ela com o mesmo carinho. Talvez parte considerável da culpa tenha nome e sobrenome: Jason Brooks.

Meu Deus, Jason Brooks. Que homem. Gostoso demais. É impossível falar desse livro sem lembrar de absolutamente tudo o que ele faz e entender perfeitamente por que continua ocupando um espaço privilegiado na minha cabeça.

Mas o que realmente me conquista nele vai muito além da atração. Uma das coisas que mais amo é a forma como Jason se aproxima da Emma. Ele percebe que não pode simplesmente invadir a vida dela e esperar que ela se apaixone. Então, ele vira amigo dela primeiro. Se aproxima, conquista sua confiança, respeita seu espaço e permite que a relação entre os dois seja construída aos poucos. Ele quer Emma, deixa isso muito claro, mas não atropela o tempo dela para conseguir o que deseja.

Embora “respeitar o espaço” seja uma definição um pouco generosa para um homem que não perde uma oportunidade de falar sobre a bunda dela. 

E talvez seja justamente essa mistura que tenha me conquistado tanto: Jason consegue ser provocador, descarado e absurdamente atraente enquanto também demonstra cuidado e paciência com Emma. A amizade vai criando intimidade, a intimidade vai abrindo espaço para sentimentos e, quando percebemos, já estamos tão envolvidas quanto eles.

Li essa história em várias versões e uma coisa nunca mudou: Jason Brooks continua gostoso demais e eu continuo completamente rendida.

Diagnóstico confirmado: não existe recuperação possível para esse caso.

🩸 Paciente nº 04 — My Dark Heart

O livro que colocou minha moral literária em observação.


Sinopse: Stalker + Paixão proibida + Professor e Aluna + Dark Academy + Investigação + Trilher Psicológico Ayla Rosecrow tem uma mente quebrada. Diagnosticada com um quadro de esquizofrenia, ela não confiava suficientemente em si mesma, pelas vezes em que viu o que não estava realmente lá, e escutou o que ninguém mais escutava. Depois de decidir sair da sua cidade natal, ir para Nova York parecia ser o lugar ideal para recomeçar sua vida, já que ali ninguém conheceria sua história, nem os fantasmas que a assombravam. Então, quando começa a se sentir observada, Ayla pensa que é apenas mais uma das paranoias de sua cabeça. Até o dia em que ela o vê: Uma figura alta, escondida pelas sombras, parada do outro lado da rua, em frente a janela do seu novo apartamento, observando-a. O medo faz cada membro do seu corpo congelar e o terror de ter alguém ali – mesmo que soubesse que não era real – a apossa, ainda que a figura tenha ficado apenas lá, olhando-a, e ela encarando-o de volta. Com o tempo, no entanto, Ayla se acostuma com seu stalker imaginário, apenas esperando quando iria sumir, já que nenhum dos seus episódios e surtos duravam muito. Mas havia uma parte de si – uma que Ayla não entendia e queria repreender – que não queria que ele se fosse. Tudo muda, no entanto, em uma noite, quando escuta passos em seu apartamento e a mesma figura sombria aparece diante de si. Sua presença arrepia cada célula do seu corpo na mesma medida em que sua respiração quente a faz estremecer, e ela percebe que, talvez, aquilo não fosse um truque de sua mente. Que seu stalker poderia ser real. E que ele era alguém que ela jamais cogitou imaginar. Este é um Dark Romance +18, favor conferir a nota de autora e gatilhos.
 
Esse aqui acabou com o meu psicológico. E não estou falando de um simples “me surpreendeu”. My Dark Heart conseguiu chegar ao ponto de me fazer duvidar seriamente da minha própria capacidade de interpretar o que estava acontecendo, porque toda vez que eu finalmente pensava “pronto, agora eu entendi”, o livro praticamente olhava para a minha cara e respondia: “não, querida, você não entendeu absolutamente nada.”

Quando eu achava que era uma coisa, era outra. Quando começava a desconfiar de alguém, surgia alguma coisa que mudava completamente a minha percepção. E chegou um momento em que eu já não confiava mais em ninguém — nem em mim mesma.

E a Emma? Coitada. Eu quase enlouqueci junto com ela.
A sensação durante boa parte da leitura era de estar tentando montar um quebra-cabeça enquanto alguém, escondido, trocava as peças de lugar. Eu criava uma teoria, me convencia dela, encontrava indícios que aparentemente confirmavam tudo e, algumas páginas depois, lá estava eu novamente: com cara de palhaça.

E QUE PLOT TWIST.

É aquele tipo de reviravolta que faz você parar de ler por alguns segundos, voltar algumas páginas mentalmente e começar a questionar todos os sinais que estavam ali e que você simplesmente não percebeu. Quando as peças finalmente começam a se encaixar, dá vontade de reler o livro inteiro só para descobrir tudo aquilo que passou despercebido na primeira vez.

Talvez esse seja o maior motivo de My Dark Heart estar nesta lista: ele não apenas ficou na minha cabeça depois que terminou — ele brincou com ela enquanto eu estava lendo.
Diagnóstico? Minha capacidade de confiar nas minhas próprias teorias literárias nunca mais foi a mesma.

💘 Paciente nº 05 — Misbehave

O responsável por elevar perigosamente minhas expectativas amorosas.


Sinopse: Se além de caótico, o Colégio Brightgate era um reino, Naomi Carlson era a Rainha. Aqueles que não caíam aos seus pés por livre e espontânea vontade, o faziam por livre e espontânea pressão. Não havia nada que seu sorriso diabólico e rosto angelical não pudessem conquistar. Até encontrar ele. O novato mudou tudo. O misterioso Damian Bale pisou em Brightgate sem realmente se importar com nada, porque já estava acostumado com o inferno. Ninguém sabia definir exatamente o que existia por trás de seu sorriso maldoso, o tipo de incerteza que fazia Naomi sair do eixo. Afinal, em seu reino de falsas aparências, a garota amava ter tudo sob controle O que Carlson não sabia era que Bale faria seu reinado ruir. E que ela apreciaria cada maldito segundo da queda.

Misbehave é um daqueles livros que me trazem conforto. E acho que essa é a melhor palavra que consigo encontrar para explicar o que sinto por essa história. É como voltar para um lugar conhecido depois de um dia difícil e perceber que tudo aquilo que você ama continua exatamente ali, esperando por você.

Aqui, Brooke Mars foi gigante criando Naomi e Damian. Sério. Que personagens. Que universo. Que coisa incrível é entrar nessa história.

Existe alguma coisa em Misbehave que simplesmente me abraça. Eu gosto de acompanhar Naomi, gosto de Damian, gosto da dinâmica entre eles e, principalmente, da sensação que esse universo me provoca. Não é apenas sobre querer saber o que vai acontecer na próxima página; é sobre querer permanecer ali por mais um pouquinho.

E talvez seja isso que diferencie os livros que amamos daqueles que se tornam especiais de verdade. Alguns nos destroem, outros nos deixam completamente obcecadas, mas existem aqueles que acabam se transformando em casa.

Misbehave é isso para mim.

Naomi e Damian são personagens para os quais eu voltaria inúmeras vezes, porque existe conforto em reencontrá-los. É quase como visitar velhos amigos e perceber que, independentemente de quanto tempo tenha passado, a sensação de estar com eles continua a mesma.

Brooke Mars criou um universo no qual eu não apenas gostei de entrar. Eu quis ficar.

E, sinceramente? Se esse é o diagnóstico, eu não quero tratamento nenhum. 

🌫️ Paciente nº 06 — Nebulosos

O livro que me deixou olhando para o teto depois da última página.


Sinopse: Poucas coisas na vida conseguem ter importância para a garota de coração gelado, Maxine Woods, e o irmão é uma delas. Mas após o episódio que permitiu que Carter Woods fosse negligenciado pelas autoridades locais, seu foco é alternado. Agora, Max tem a atenção voltada para um único e valioso objetivo: encontrar o responsável por deixar seu irmão entre a vida e a morte. Entrar para o time dos bonzinhos não parece compensar seus objetivos, por isso ela decide confrontar os interesses de Chace Kelland, o badboy responsável por dominar o submundo da maior fraternidade masculina do país, na prestigiada Universidade de NiKho. Ocupando o posto de principal suspeito do ato, Chace é a personificação de tudo que Maxine mais odeia. Esperto, perigoso e dono de uma beleza hipnotizante, ele consegue tudo o que deseja e parece ter o mundo na palma de suas mãos. Até a garota tempestuosa, destruidora e completamente impulsiva entrar em seu caminho. Disposta a se arriscar para descobrir tudo sobre a noite em que seu irmão foi brutalmente espancado, Max não percebe que, cada vez mais submersa nesse novo mundo, o risco de se tornar parte dele é mais real do que se imagina, e em um jogo arriscado de omissões, impulsos, caos e desejo, Chace e Maxine acabam esquecendo que na guerra dos amores intensos e das paixões caóticas, não existe um vencedor.

Nebulosos realmente me deixou completamente apaixonada por Max e Chace. Sério, que duologia maravilhosa! É daquelas histórias que você começa querendo apenas conhecer os personagens e, quando percebe, já está emocionalmente envolvida demais para simplesmente fechar o livro e seguir a vida normalmente.

E Max e Chace têm grande responsabilidade nisso. Eu amo os dois juntos. Amo acompanhar a relação deles, a intensidade, os sentimentos e tudo aquilo que vai sendo construído entre eles ao longo da história. Eles têm aquele tipo de conexão que faz a gente se apegar ao casal como se tivesse algum direito sobre a felicidade deles.

Quanto mais eu lia, mais queria permanecer naquele universo. E quando uma história consegue provocar isso em mim, já sei que estou perdida. Porque não é mais apenas curiosidade para descobrir o final; é aquela vontade de continuar acompanhando aquelas pessoas, de ter mais capítulos, mais momentos e mais um pouquinho daquela sensação.

Quando terminei a duologia, ficou justamente aquilo que eu considero um dos maiores sinais de que um livro funcionou comigo: saudade.

Saudade de Max. Saudade de Chace. Saudade deles juntos e daquele universo que, por algumas páginas, pareceu tão fácil de habitar.

Tay Ferreira, você tinha mesmo necessidade de fazer isso comigo?

Porque Nebulosos terminou, mas Max e Chace aparentemente decidiram que não tinham nenhuma obrigação de sair da minha cabeça junto com a última página.

E talvez seja por isso que essa duologia esteja entre os livros que alteraram a química do meu cérebro: algumas histórias deixam lembranças; Max e Chace deixaram saudade.

📋 Diagnóstico final

Talvez dizer que esses livros alteraram a química do meu cérebro seja um pequeno exagero.

Pequeno.

Porque todos eles deixaram alguma coisa.

Uma personagem que ainda amo. Uma cena que gostaria de experimentar pela primeira vez novamente. Uma frase que ficou. Uma sensação que nenhum outro livro conseguiu reproduzir exatamente da mesma maneira.

E acho que essa é uma das coisas mais bonitas sobre ser leitora: nós entramos em uma história sabendo que ela tem um número determinado de páginas, mas nunca sabemos por quanto tempo ela continuará existindo dentro de nós.

Algumas duram uma tarde.

Outras permanecem por anos.

E algumas, suspeito, nunca vão embora.

Diagnóstico: obsessão literária crônica.
Tratamento: continuar lendo.
Alta médica: felizmente, negada. 

Agora quero montar o prontuário de vocês: qual livro alterou a química do seu cérebro e por quê?


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Se um dia eu olhar para trás, espero encontrar uma boa história. Até lá, sigo escrevendo a minha, uma palavra de cada vez.

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