Você me colocou em um pedestal e disse que eu era a melhor. Levantou-me tão alto que, por um instante, tive a impressão de que poderia tocar o céu. E eu acreditei. Fez-me sentir extraordinária, quase invencível. Encheu-me de confiança até que, sem perceber, abri o coração e deixei escapar tudo o que havia guardado dentro dele. Derramei minhas palavras, meus medos, minhas esperanças e as partes mais frágeis que existiam em mim.
Então, você me deixou cair...
E a queda foi longa.
Caí justamente do lugar onde você mesmo havia me colocado. O impacto foi tão forte que, por um momento, pensei que não tivesse restado nada além de fragmentos espalhados pelo chão. Passei dias recolhendo cada pedaço de mim, tentando reorganizar minhas próprias ruínas e descobrir se ainda era possível construir algo inteiro a partir do que havia sobrado.
Mas existe uma pergunta que continua ecoando dentro de mim: e se eu tropeçar outra vez? E se eu cair de novo? Será que vou ser vista como um monstro por não conseguir permanecer inteira o tempo todo?
Apenas me avise. Diga-me se as minhas falhas me tornam menos digna de amor. Se elas me fazem menos humana. Porque, às vezes, parece que o mundo exige que a gente permaneça intacta, mesmo depois de ter atravessado tempestades que ninguém viu.
E se eu pecar? E se, no processo de tentar sobreviver, eu acabar me quebrando mais uma vez?
Carreguei pesos enormes sobre os ombros durante tanto tempo que deixei de saber onde eles terminavam e onde eu começava. A culpa, o medo e a necessidade de ser perfeita passaram a fazer parte de mim. Até que compreendi que precisava deixá-los para trás. A ausência do perdão era um fardo pesado demais para continuar carregando.
O ressentimento me aprisionou por muito tempo. Entregou o controle da minha vida nas mãos de quem me feriu. Mas hoje eu sei que permanecer presa à dor é continuar permitindo que ela escolha os meus caminhos. E eu não aceito mais viver assim.
Entrei nessa história com as melhores intenções. Entreguei o que havia de mais sincero, mais bonito e mais verdadeiro dentro de mim. Mas, em algum momento, precisei soltar. Não porque aquilo deixou de ser importante, mas porque, se continuasse segurando tudo com tanta força, acabaria perdendo a única pessoa que ainda precisava de mim: eu mesma.
Talvez a cura seja exatamente isso. Aceitar que algumas pessoas nos ensinam a voar, enquanto outras nos ensinam a cair. E, por mais injusto que pareça, nenhuma delas pode nos ensinar a levantar.
Essa parte sempre será nossa responsabilidade.
Levantar não significa fingir que nunca doeu. Não significa apagar as cicatrizes nem esquecer a altura da queda. Significa apenas decidir que elas não serão o lugar onde a nossa história termina.
Porque, no fim, sempre haverá uma nova queda esperando por alguém que escolheu viver de verdade. Mas também sempre existirá a possibilidade de se levantar outra vez. E talvez seja justamente aí que mora a coragem: não em nunca cair, mas em descobrir, todas as vezes, que ainda existe força suficiente para ficar de pé.


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